domingo, 28 de março de 2010

Aujourd'hui non.

Postei a frase "Uma hora eu sabia que retornaria à minha normalidade: fria e racional. É tão bom conhecer a si mesmo e saber que os outros são todos iguais." no meu twitter, e recebí 5 mentions perguntando do que se tratava ou de quem se tratava. Nessa tal mudança talvez a melhor coisa tenha sido perceber que nem tudo deve se tratar de alguém além de nós mesmos. Dizem constantemente que não se deve olhar pra trás, mas na minha opinião nós realmente devemos. Pra trás antes das lembranças nostálgicas. Devemos olhar pro lugar do passado onde fomos pessoas que talvez se voltassemos a ser, seríamos mais felizes. Estou feliz. Estou feliz por saber que hoje, ontem e todos os dias aproveito as oportunidades. Todas. Todas as oportunidades de ir adiante, sem deixar de resgatar o que um dia achei importante. Não mais julgo o retorno ao que foi válido.
Talvez eu tenha pego pesado no "fria e racional", mas é o que fui com muitas pessoas muitas vezes. Sinceramente? Não me arrependo. Isto é o máximo que muitas pessoas merecem. A minha segurança sempre veio em primeiro lugar. Foi por causa da minha própria segurança que errei e acertei tantas vezes. O importante é ter a consciência de que tudo o que fazemos é construído segundo a segundo.
Não me arrependo de não ter sido orgulhosa por diversas vezes. Não tenho o que esconder e jogos não me atraem, definitivamente. Cada um que faça o que seu egoísmo propor e arque com as próprias consciências, pois a minha está tranqüila, sabendo que estas virão. É o que tenho conversado diariamente com uma freundpresse que está sempre comigo: é melhor estar diluída numa situação errônea do que por trás dela.
A cada dia, apesar do meu mau-humor incontestável respiro aliviada: sou eu e mais ninguém. Decido por mim. E neste momento decido por escolher o que é e sempre foi o melhor caminho: não copiar atitudes que condeno. Honrar o fato de compreender e ser melhor que tudo isso. Não me colocar à nível à certas podridões. Sou eu, ainda que tenha demorado à perceber tal fato.

quarta-feira, 24 de março de 2010

"(...)É coisa singular, minha prima! O amor que é insaciável
e exigente e não se satisfaz com tudo quanto uma mulher pode
dar, que deseja o impossível, às vezes contenta-se com um simples
gozo d'alma, com uma dessas emoções delicadas, com um
desses nadas, dos quais o coração faz um mundo novo e desconhecido.(...)"

José de Alencar, 5 minutos. Capítulo IV


domingo, 21 de março de 2010

Sometimes

Às vezes me sinto ridícula por irritar-me tão facilmente. Tento acostumar-me à mesmice, mas confesso que não é fácil.
Às vezes sinto-me ridícula por tentar convencer à mim mesma de que coisas são certas, pessoas agradáveis e o pior: que tenho que mudar em vários aspectos, quando na verdade não preciso.
Às vezes sinto-me ridícula por não ter uma idéia certa em relação à vários aspectos, quando na realidade isto se faz cada vez mais necessário. Nossa alma dos dá motivos e caminhos, mas nunca razões, e isto de fato não me agrada.
Às vezes sinto-me ridícula por não ter sido capaz de fazer com que o momento mais maravilhoso da minha vida se repetisse.

O problema é que nunca se sabe se ele foi ou não foi real...

domingo, 14 de março de 2010

Olho para os lados e vejo o espaço ao meu redor. No fundo sei que ele já esteve completo. Antes, sempre me
sentia como se estivesse sentada numa daquelas poltronas de couro, como se o almoço sempre estivesse
pronto para ser servido, como se o sol sempre estivesse quente lá fora.
Já me sentí em casa tantas vezes que guardo comigo vaga recordação. Não sei ao certo o que aconteceu, quanto tempo
passou ou quantas coisas erradas eu fiz. Tudo o que eu sei é que perdí algo. Não gosto de culpar
as pessoas por se distanciarem, mas já me peguei perguntando em voz alta, como se fosse ainda criança,
por que elas haviam ido para longe de mim. Por que elas fingem querer ficar?
Se vão, quero que vão de uma vez. Quero que parem de ser falsas comigo para amenizar suas culpas. Quero voltar ao momento em
que estive em casa e sentir o tédio que o normal trás.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ainda que eu saiba de mim, jamais o saberei ao certo. É tão fato que jamais nos conheceremos, quanto é fato que isto é um tanto desagradável.

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
cobre as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles