segunda-feira, 26 de julho de 2010

inomeável.

Sempre me perguntei qual a melhor maneira de sabermos se o amor realmente acabou. Um dia, em uma conversa boba com alguns amigos, um deles disse algo que nunca me esquecí: "O amor é simplesmente admiração com uma pitada de desejo". Guardei aquilo na memória, nem sei porque. Hoje isso se faz total e absurdamente coerente em minha vida. A falta de amor é resultado de um imenso desdém. Não é o desdém verdadeiro. É uma atitude de desdém proveniente de um sentimento contrário à admiração, um sentimento inomeável. Não é decepção. Já cheguei a pensar que fosse. O problema é que a decepção, assumamos ou não, está relacionada profundamente ao nosso ego e ao nosso orgulho. Aquilo que nos decepciona em alguém é aquilo que nos atingiu de alguma forma. Mas não. Não desta vez.
Não é algo que me atinja. Na verdade, é algo que toda vez que sinto ou percebo se afasta mais e mais de mim. Se afasta da minha percepção, do meu "sentir amor", e isso de alguma forma me chateia. Aí se transforma em decepção. Mas não é disso que estou falando. Tem algo a ver com percepção e, sobretudo, com o despertar para o que se pensava conhecer tão bem anteriormente e só agora vê a real face. Sabem qual a melhor parte neste sentimento? É que ele não te faz mudar sua antiga opinião sobre quem ou o quê tu amavas. Ele apenas te faz perceber o quão tola a mesma era.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tenho descoberto uma nova vida. É como acordar de um sono muito profundo sem ter certeza se está ou não sonhando. Aliás, ainda sonho. Quem me vê de fora não entende, ou talvez entenda, caso se esforce. Não sou pretensiosa. Não penso que alguém esteja interessado neste esforço. Me vejo como uma garota estabanada e falante, que extravasa sua percepção - muitas vezes até mesmo de forma errada.
Nunca cheguei a me envergonhar de ser quem sou. O que por outro lado sempre me ocorre é o conflito que implica na imagem que tenho a meu respeito. Sinto raiva de ser tão ingênua quando preciso ser esperta, e de ser tão dura quando preciso ser flexível. Sinto medo de tentar e me decepcionar. Sinto medo do medo de tentar. Não entendo. Me desespero.
Às vezes tenho a impressão de que meus relacionamentos são todos ao contrário: começam parecendo que conheço as pessoas há anos, e terminam como se eu não as conhecesse. Ou talvez o fato de conhece-las tão bem faz com que eu prefira fingir que não as conheça.

domingo, 18 de julho de 2010

Posso parecer alheia ao que acontece ao meu redor, mas de algum modo me sinto cada vez mais conectada. Capto cada informação em milhares de pedaços, que processo de diferentes maneiras.

sábado, 10 de julho de 2010

Palavras.

Todos os dias, mesmo sem perceber, dizemos diversas coisas que podem magoar pessoas. Muitas vezes não são palavras. Podem ser intenções ou mensagens escondidas entre gestos e ações. Sempre partilhei da opinião de que devemos procurar aprender com tudo o que acontece ao nosso redor, mas, parando para pensar, cheguei à conclusão de que muitas vezes o que fazemos é justamente o oposto disso.
Digo porque nos últimos dias ouví muitas coisas que não queria ouvir vindas de alguém que, em especial, não poderia ter me dito aquelas coisas. Cada palavra me chateou profundamente. Não tive nenhuma reação concreta a este respeito. Passado o baque de ouvir tudo aquilo, o que fiz foi fingir que nada aconteceu (e talvez este seja um dos problemas). A questão é: involuntariamente vingo meus sentimentos descontando toda a minha frustração em pessoas que não têm nada a ver com isso, o que é errado e pode afastar de mim aqueles com os quais ainda posso conversar quando ouço coisas absurdas vindas de uma pessoa na qual depositei todas as minhas expectativas e a quem nunca tratei mal, muito pelo contrário. Entendem agora a falta de lógica?

Ainda bem que a cada dia que passa eu espero menos de você.