Estou com sono e não tão inspirada como costumo estar à ponto de escrever. Enfim. Tenho medo de começar a escrever. Não sei onde posso e nem mesmo onde quero chegar. No momento estou fazendo o que se chama de "restituir a vida que se levava". Voltei a sair com os meus amigos, voltei a beber tudo o que posso e retomei um antigo hábito: falar com desconhecidos amigavelmente (depois da segunda dose, obviamente). Falsos valores foram ao chão em menos tempo do que eu imaginei, confesso. Além de mim mesma não tenho mais à quem respeitar. Não tenho medo de me expor. Ok, o último item é falso.
Tenho me sentido um pouco frustrada ultimamente. Sabem aquela frase que sempre ouvimos das pessoas mais velhas? "Nadar pra morrer na praia"? Pois é, é assim que eu me sinto. Fiz mil planos nos últimos meses. Alguns deles inviáveis, inclusive. Eis a questão. Empenhei-me obstinadamente em me enxergar dentro de um sonho que não era meu. E quando passei a me enxergar, arrancaram-o de mim. Não culpo ninguém. Talvez eu esteja certa em não culpar, talvez eu seja apenas covarde.
Não vejo mal em viver a minha vida, desde que eu a viva por vontade própria, e não para fugir de mim mesma. Cada vez que dou um passo para trás dói. Vejo cenas que não gostaria de ver, ouço palavras que não gostaria de ouvir e sinto coisas que já não existem mais. Mas é assim que vou pra frente. É assim que me sinto menos covarde. É assim que convivo melhor comigo mesma. Encarando o passado.
Certas coisas me fizeram mal, não há como negar. Mas quando passa por mim qualquer coisa que esteja envolvida, como uma música ou um perfume, sinto uma sensação inexplicável. É como saudade, amor e ao mesmo tempo nojo e tristeza. É uma sensação arriscada e até vulgar, porém vulgaridades podem ser deleitosas, já diria Machado de Assis.
Virei a página. Não quero mais este deleite e nem quero dar passos retrógrados. Não quero fugir de mim mesma e nem de ninguém, ou melhor,
não desejo necessita-lo. Neste momento tudo o que desejo é dormir. Sinto minhas mãos pesadas. Sinto meus olhos caindo.
Esse brilho intenso me lembra você...