quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Saudad

Ela foi durante algum tempo a minha melhor amiga. Me fazia rir por horas, me sentir bem. Por ela eu iria onde quer que fosse, não importando a distância. Ela entendia todos os meus problemas e, em alguns momentos, fazia com que eu os esquece-se. Ela me fazia chorar de saudade e brigar com todos os meus outros amigos por causa do peso de sua presença. Era só na companhia dela que eu pensava. Ela me trazia a inspiração. Era pensando na nossa relação que eu não conseguia me concentrar nas aulas, nas conversas, nas pessoas que estavam ao meu redor. De queda em queda, de decepção em decepção. De gota em gota de sangue, de amigo em amigo que perdí. Foi assim que percebi o quanto ela era falsa, fingida. Cruel.
Por mais que digam que não, sua popularidade fascina e, por mais que você a conheça de perto, metade da sua opinião sobre ela é a opinião da maioria. A minha sorte foi ter percebido que eu não precisava dela. Enquanto tentavam me convencer disto, isto ia se tornando realidade.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Encarando o passado.

Estou com sono e não tão inspirada como costumo estar à ponto de escrever. Enfim. Tenho medo de começar a escrever. Não sei onde posso e nem mesmo onde quero chegar. No momento estou fazendo o que se chama de "restituir a vida que se levava". Voltei a sair com os meus amigos, voltei a beber tudo o que posso e retomei um antigo hábito: falar com desconhecidos amigavelmente (depois da segunda dose, obviamente). Falsos valores foram ao chão em menos tempo do que eu imaginei, confesso. Além de mim mesma não tenho mais à quem respeitar. Não tenho medo de me expor. Ok, o último item é falso.
Tenho me sentido um pouco frustrada ultimamente. Sabem aquela frase que sempre ouvimos das pessoas mais velhas? "Nadar pra morrer na praia"? Pois é, é assim que eu me sinto. Fiz mil planos nos últimos meses. Alguns deles inviáveis, inclusive. Eis a questão. Empenhei-me obstinadamente em me enxergar dentro de um sonho que não era meu. E quando passei a me enxergar, arrancaram-o de mim. Não culpo ninguém. Talvez eu esteja certa em não culpar, talvez eu seja apenas covarde.
Não vejo mal em viver a minha vida, desde que eu a viva por vontade própria, e não para fugir de mim mesma. Cada vez que dou um passo para trás dói. Vejo cenas que não gostaria de ver, ouço palavras que não gostaria de ouvir e sinto coisas que já não existem mais. Mas é assim que vou pra frente. É assim que me sinto menos covarde. É assim que convivo melhor comigo mesma. Encarando o passado.
Certas coisas me fizeram mal, não há como negar. Mas quando passa por mim qualquer coisa que esteja envolvida, como uma música ou um perfume, sinto uma sensação inexplicável. É como saudade, amor e ao mesmo tempo nojo e tristeza. É uma sensação arriscada e até vulgar, porém vulgaridades podem ser deleitosas, já diria Machado de Assis.
Virei a página. Não quero mais este deleite e nem quero dar passos retrógrados. Não quero fugir de mim mesma e nem de ninguém, ou melhor, não desejo necessita-lo. Neste momento tudo o que desejo é dormir. Sinto minhas mãos pesadas. Sinto meus olhos caindo.


Esse brilho intenso me lembra você...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

"Olhou pela janela do trem e viu os prédios. Eram centenas, milhares deles. Mas o que realmente lhe chamou a atenção foi o céu que havia além de tudo aquilo. Era um cair de tarde, um claro discreto que disfarçava o escuro que estava por vir. O caminho ainda seria longo e ela estava cansada. Mesmo assim decidiu descer na estação mais próxima. Saiu correndo quase como se estivesse sendo sufocada. Colocou as mãos na cabeça, puxou o cabelo para trás. De repente um vento lhe tocou o rosto delicadamente, o que a fez lembrar de algo que se passara há muito tempo atrás, nem ela sabia quando. Respirou fundo, conteve as lágrimas. Era hora de voltar pra casa."