quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Paranóias

Parado no meio da avenida eu via os carros que passavam ao meu lado, furiosos. Os motoristas buzinavam em sinal de reprovação: parado alí, no meio da rua, eu poderia causar um acidente ou até mesmo morrer.
Mas, naquele momento, nada daquilo valia. Eram apenas imagens desconexas com o turbilhão de êxtase que invadia minha mente, descartando tudo que me fosse desagradável.
Meu coração batia numa velocidade tão grande que eu o sentia pulsando dentro da minha garganta, o que me fazia faltar o ar.
Cambaleei para a calçada entre olhares e comentários, mas nada daquilo me importava. Tudo era avulso ao meu mundo encantado. Deitei na calçada e fechei os olhos. Tudo girava. Vozes pareciam gargalhadas e as estrelas pareciam meteoros encantadores, embora a lua, severa, anuciasse o fim. Voltei à mim.
Me esforcei até que voltei ao transe. Olhava rápido tudo ao meu redor, em vão. Não havia ninguém conhecido.
Senti então uma forte tontura. Agora meus pés doíam, meu peito estava apertado e tudo o que eu queria era que de fato um daqueles carros tivessem me matado e eu não estivesse mais alí, pois sabia o quanto iria chorar.

Escreví isso faz 2 anos, acabei de encontrá-lo perdido entre livros e cartas que não entreguei.

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