Querido diário, há algum tempo (ou mais talvez) venho percebendo o quão difícil pode ser a vida. Você conhece a minha despretensiosidade, logo sabe que não me sinto o último dos seres sobre a Terra. Gostaria apenas de viver minhas dores como me fosse possível, sem interferências. Quero deixar de lado essa minha mania de precisar da opinião alheia. Venho percebendo que nem sempre elas são completamente livres de segundas intenções.
Querido diário, hoje acordei repleta de um sentimento novo. Do sentimento que provém do sonho, da intuição. Embora não me livre do sofrimento, tudo isso faz com que as coisas tornem-se ainda mais reais. Sonhos são reais e apenas através deles somos capazes de perceber a intensidade de um sentimento, seja o sonho que se sonha acordado ou não.
Querido diário, não sei o que fazer para me livrar das dúvidas que me atormentam. Por onde quer que eu passe deixarei uma parte de mim. Não sei se vou ou se fico. Sei quem sou, apenas. E o que é pior: não são apenas partes de mim espalhadas por todos os cantos... são também lembranças que me perseguem, além de retratos espalhados por cada canto de uma parede que não existe.
Gostaria de ir em paz.
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