quinta-feira, 1 de abril de 2010

Handford

"Ele perguntou como havia sido sua ida para casa e ela respondeu, como sempre, com o olhar vago, perdido. Utilizou-se de todas as vírgulas que haviam dentro do seu ser para adiar mais e mais uma suposta conclusão, ou uma verdade. [...] Ninguém sabe, ninguém quer saber. Eu leio no fundo dos olhos da menina. Eu acompanho a menina do lado de fora, onde quer que ela vá. Sei que há momentos em que ela simplesmente se vê no limite. Sei que há momentos em que ela pensa carregar o maior fardo do mundo. Mas sei também que dura pouco esta sensação, pois logo ela percebe que muito lhe aguarda. [...] A menina continuou falando e falando. Algumas vezes ria, outras falava pausadamente. Eram aquelas risadinhas um tanto nervosas. Enfim. Ele desistiu de questiona-la. Mas o melhor de tudo, eu lhes digo: ele cansou de tantas perguntas, e ela também. Infelizmente não é nesta ocasião que virei a dizer-lhes que ela se livrou do fardo, mas posso dizer sim que ela aprendeu a conviver com ele. Continuo observando. Ela continua com o olhar vago. A diferença é que a direção mudou [...]"

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