Sempre me perguntei qual a melhor maneira de sabermos se o amor realmente acabou. Um dia, em uma conversa boba com alguns amigos, um deles disse algo que nunca me esquecí: "O amor é simplesmente admiração com uma pitada de desejo". Guardei aquilo na memória, nem sei porque. Hoje isso se faz total e absurdamente coerente em minha vida. A falta de amor é resultado de um imenso desdém. Não é o desdém verdadeiro. É uma atitude de desdém proveniente de um sentimento contrário à admiração, um sentimento inomeável. Não é decepção. Já cheguei a pensar que fosse. O problema é que a decepção, assumamos ou não, está relacionada profundamente ao nosso ego e ao nosso orgulho. Aquilo que nos decepciona em alguém é aquilo que nos atingiu de alguma forma. Mas não. Não desta vez.
Não é algo que me atinja. Na verdade, é algo que toda vez que sinto ou percebo se afasta mais e mais de mim. Se afasta da minha percepção, do meu "sentir amor", e isso de alguma forma me chateia. Aí se transforma em decepção. Mas não é disso que estou falando. Tem algo a ver com percepção e, sobretudo, com o despertar para o que se pensava conhecer tão bem anteriormente e só agora vê a real face. Sabem qual a melhor parte neste sentimento? É que ele não te faz mudar sua antiga opinião sobre quem ou o quê tu amavas. Ele apenas te faz perceber o quão tola a mesma era.
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