segunda-feira, 11 de julho de 2011

Encarei-me frente ao espelho por muito tempo. Estudei com cuidado cada uma das pouquíssimas linhas de expressão que possuo. "É culpa do cigarro", pensei. Passei a unha em cima do machucado no queixo. Olhei, olhei, olhei. Cantei o refrão de uma música boba que vi na tevê e me senti culpada por ter decorado uma porcaria daquelas. Olhei para cima e refleti durante alguns segundos sobre a cor do teto do meu banheiro. Pensei nas milhares de cores que possuem os banheiros ao redor do mundo. Fiz o mesmo com os azulejos, as toalhas e o tapete. Fiz um penteado no cabelo, soltei, prendi novamente.
Abri a porta, olhei o corredor e me certifiquei de que estava sozinha em casa. Fui até a cozinha olhar o relógio. Desde que entrara no banheiro haviam se passado quarenta minutos. Entrei no banho. Mais meia hora. Desliguei o chuveiro, me arrumei bem devagar. Senti culpa por ter desperdiçado uma hora do meu dia por pura distração, e me senti ainda pior quando me lembrei que fazia aquilo todos os dias. O pior é que não havia deixado de pensar em você um único instante. E nesse dilema se passou mais meia hora e meu dia inteiro.
Eu não te amo. Eu não dependo de você. Você apenas me lembrou de que é bom estar ao lado de alguém e, quem sabe, vir a amá-lo um dia. Você me trouxe de volta aos problemas cotidianos dos quais eu tanto sentia falta e me fez checar o celular mil vezes mais. É cedo demais pra dizer que você significa algo real pra mim. Mas, garoto, você foi o meu motivo de distração antes do banho. E isso é realmente perigoso.

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